Antes de mais nada, foi uma honra!
Honra por termos participado de um festival de alto nível de “música”. Local muito formal para nossos padrões de apresentação, tudo muito organizado, platéia positivamente selecionada. No backstage encontramos muitos amigos, amigos músicos, amigos professores de música, amigos impresários da música sorocabana, caras do tipo “esse aí toca pra caraleo”, viche maria, e aquele então?, e por aí vai. Eu me perguntava “o que estou fazendo aqui?” e percebi que os outros ruminantes gargalhavam pelo mesmo motivo. Show de técnica, arranjos , precisão, letras poéticas, muito disso se torna chato, mas típicamente MPB, Jazz, Samba, misturado com Baião, Manguebeat, Funk, peculiar desta turminha “cult”. Nós, nos preocupavamos apenas em se divertir, sentimos falta das “granadas”, fartas em nosso abitat natural, que facilitaria ilustrar em nossa performace, a classificada No Grau!
Mesmo assim, fizemos nossa parte, do jeito que sabemos, ou simplismente do jeito que somos, perante todos, fizemos muito barulho, paulada na batera, berros e muita guitarra na orelha, I know... It´s only rock n Roll, but, I like it....., talvez seja essa a razão por “No grau” ter sido escolhida.
O resultado da seletiva pouco importou, mesmo porquê muitos dos jurados não tiveram mais a lembrança de sua juventude, ofuscados pelo conservadorismo que adquiriram em seus RG´s. Há quem diga, e não foram poucos, que o som incrivelmente “fudeu” bem na nossa hora, mas fazer o que?, festival é assim mesmo.....
Mais um festival ? Não, esse foi diferente! O que me chamou a atenção, e que gostaria de trazer às nossas “underground´s awareness” foi a sensação de “respeito” entre os músicos, da organização e principalmente do público presente. Mas alguém pode questionar, “o que isso tem a ver com o nosso Underground?” Tem sim muito a ver e acho que devemos aprender com isso. Já participei de Festivais dos mais variados formatos, públicos e interesses, e é raro, muito raro mesmo, sentir que o evento contemple a música. Não quero fazer média com ninguém, longe disso, prefiro apenas comentar meu ponto de vista, que independente do estilo musical, técnica, cor de cabelo ou tamanho do pinto, o tratamento foi totalmente nota dez em todos os sentidos.
Bem, o festival teve muitos ingredientes para sustentar os ipócritas residentes, mas foi ao contrário, os vários prêmios “$”?, foram só um detalhe, o ambiente de “competição”?, não teve espaço, e o público vaiando ou fazendo o esquema “aparece-batepalma-desaparece”? Todos sem arredar o pé, aplaudindo até a última atração, E a vaidade? Teve?, se eu pedi-se emprestado a qualquer batera aquele prato top, não seria problema. Foram diversos músicos que se apresentaram, sem cobrar nada, onde na grande maioria, são profissionais, que fizeram da música o seu sustento, fora os anos e anos tocando em buteco, estudando e vivendo a música. Pois é, não vieram tocar covers, vieram mostrar suas composições, o “trampo” que tanto escutamos, e enchemos a boca pra reenvindicar espaço para divulga-lo. Meus parabéns, isso sim é culto à música. Tenho a impressão que é por esse e outros detalhes, que nossa “cena independente” está tão podre, sem união. O que se vê hoje é mais uma galera que se preocupa com a imagem, “sou Rocker” e se esquece do sentido das coisas, quando não, infantilmente, cometem um dos erros mais comuns dos jovens de hoje, o egoísmo.
Quando digo “galera”, me refiro às bandas, mas principalmente ao público que alimenta tudo isso. Por fim, vejo que a tão criticada turminha “cult”, no mínimo, mostrou o que é ter atitude e de como fazer parte de uma cena.
Agradeçemos de coração: Ana Claudia, Pasqua, Gra, Ado, Vanessa, Raquel, Fernando, Andressa, Miguel Eliot, Namorada, Ary, Térike e demais pessoas que compareceram e torceram por nós e estão formando nossa família de Ruminantes.
Até a próxima!
Um grande abraço
Batuque
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